30 de junho de 2013

A TAÇA É NOSSA, MAS NÃO SOMOS CAMPEÕES EM DESENVOLVIMENTO HUMANO



A grandeza do Brasil não se faz por se tornar campeão de futebol, mas pela chance de cada brasileiro se realizar como ser humano. Os brasileiros se tornaram campeões da Copa das Confederações, mas não perdeu a posição, entre os países desta competição, de maior fracassado em todos os índices de desenvolvimento humano. No país não há nada que supere seus oponentes vencidos neste curto campeonato internacional de futebol, em áreas fundamentais como saúde, educação, segurança, assistência social e geração de emprego e renda. Com este drama social e humanitário, o Brasil se deu a suntuosidade de gastar mais de 22 bilhões de reais em reformas e construções de estádio de futebol. E mais fortunas gastam com tentativa de se tornar uma potencia bélica mundial. Para alguns, trata-se de anomalia a ser corrigida o mais rápido possível. É o caso do atual governo, que, numa curiosa volta ao regime militar, parece cada vez mais embriagado com sonhos de armas mirabolantes e caras, compradas com créditos de países estrangeiros que terão de ser pagos pelos sucessores. Outros chegam à insensatez de querer reviver o programa nuclear clandestino proibido pela Constituição. A recente e ligeira melhora em nossas condições econômicas e sociais parece ter subido à cabeça dos que já nos veem como país próspero, a esbanjar dinheiro e a arrotar grandezas. Basta olhar em torno, porém, para ver o abismo de miséria que nos cerca. Os dramas dos números absurdos dos homicídios, desemprego e inflação, deveriam servir ao menos como choque de realidade capaz de nos restituir o senso das prioridades. Enquanto comemoramos a vitória da seleção brasileira, as drogas matam milhares de brasileiros humildes e muitos são forçados a morar em condições sub-humanas. Que país queremos ser, a Rússia armada até os dentes, onde a expectativa de vida diminui a cada ano, ou o Canadá, campeão em desenvolvimento humano? O que faz a grandeza de uma sociedade não é a glória futebolística ou o poderio de armas. É a capacidade de garantir a cada pessoa a possibilidade de se realizar como ser humano, o direito da busca da felicidade, como se dizia na época da Revolução Americana. Todos os índices de bem-estar, educação, saúde, cultura, ausência de crime e de corrupção mostram que não são as grandes potências a ocupar os primeiros lugares, mas as nações que priorizaram as necessidades humanas básicas. Em um país como o nosso, de pesada herança de desigualdades, esse dever se impõe ao governo de forma ainda mais premente. Com humildade e sóbrio realismo, deveríamos tentar construir uma potência não em Copas de Futebol, mas em direitos humanos e em ambiente, em educação e em equilíbrio social. Descobriríamos com surpresa que um governo sério, honesto e competente, daria ao Brasil um poder de influência e exemplo que jamais atingiríamos pelos gols de Neymar, Huck, ou Fred.

MARCELO CRIVELLA QUER LEI QUE CONSIDERE “PROTESTO” COMO “TERRORISMO”



Pegos de surpresa e tão distantes da realidade da sociedade brasileira que não conseguem intuir os reais motivos das manifestações que ocorrem em todo o país, depois do estopim aceso em São Paulo em manifestação contra o aumento da passagem do transporte urbano – e mais do que isso, a quebra de recente promessa de campanha de melhoria do sistema sem ônus aos usuários –, a classe política reagiu. No melhor estilo “Ditadura da Maioria dos Políticos” o senador-bispo ou bispo-senador Marcelo Crivella, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, deve reapresentar um projeto de repressão, de sua autoria em parceria com Ana Amélia (PP-RS) e Walter Pinheiro (PT-BA), eleito pela bancada evangélica de seu estado. O Projeto de Lei 728/2011 prevê que manifestações durante a Copa das Confederações – que está em andamento e deve ser retirada sua menção no texto a ser apresentado – e a Copa do Mundo a ser realizada em 2014 sejam tratados como atos de terrorismo e limita o direito dos trabalhadores à greve.

ABI VAI ENTREGAR DOSSIÊ SOBRE EXCESSOS DA PM AO GOVERNADOR



A Associação Baiana de Imprensa (ABI) e a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Bahia, em parceria com o Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado da Bahia (Arfoc) estão elaborando um dossiê sobre os excessos cometidos pela Polícia Militar contra profissionais de imprensa durante as manifestações do Movimento Passe Livre Salvador.  O material será entregue até o final da próxima semana ao governador Jaques Wagner, à Secretaria da Segurança Pública da Bahia, à Corregedoria da PM e ao Ministério Público Federal. Ontem, profissionais de imprensa vítimas das ações da polícia foram ouvidos na sede ABI: o repórter fotográfico do CORREIO Almiro Lopes, o editor do site Bahia Notícias, Evilásio Jr, e o repórter Francis Juliano.

MAIS DE 140 PROJETOS DE LEI PARA COMBATE À CORRUPÇÃO ESTÃO PARADOS NO CONGRESSO



Em resposta as manifestações populares que se espraiaram pelo Brasil, a presidente Dilma Rousseff declarou prioridade ao combate à corrupção. O Senado Federal também se empenhou em demonstrar sua adesão à causa e aprovou o projeto de lei que torna a corrupção crime hediondo. Mas a matéria aprovada pelos senadores é uma das 145 propostas que, desde meados da década de 1990, tramitam no Congresso Nacional, revela reportagem do site Contas Abertas. São 109 projetos de lei da Câmara dos Deputados e 36 do Senado Federal.  O levantamento foi realizado pela Frente Parlamentar Mista de Combate à Corrupção, coordenada pelo deputado federal Francisco Praciano (PT-AM). Segundo ele, as propostas são consideradas as “mais relevantes ou eficientes para o combate à corrupção”.

É NECESSÁRIO QUE DIFERENCIEMOS QUADRILHAS QUE ALEGRAM E QUE ENTRISTECEM



Este domingo é uma data marcante para os devotos de São Pedro. E os festejos que se estenderam por toda a semana, chegam hoje ao seu dia mais empolgante, com apresentações de despedida das quadrilhas juninas. Belas, alegres, charmosas, harmoniosas... Quadrilha Junina é uma manifestação cultural, herdada dos nossos patrícios portugueses à época do descobrimento. Todavia vejo como um grande perigo a criação dessas quadrilhas, sem a devida definição dos propósitos a que se destinam, em razão dos políticos, que confundem a prática, e formam “quadrilhas”, para outros fins, e metem suas garras de ave de rapina no dinheiro do povo. Essas quadrilhas “não juninas, mas perenes), se apoderam do erário para a prática de enriquecimento súbito e ilícito de políticos, governantes e suas amantes. Não são belas e nem alegram o povo. São prejudiciais e envergonha a nação. É só lembrar do Mensalão, Vampiros, Geraldo Simões e Cia., Barbalhos, Renan, Maluf e sua gang., Cartões Corporativos, Ficha Suja, Sangue-Sugas, Vendas de Emendas Parlamentares e milhares de tantas outras mazelas, características de quadrilheiros, também conhecidos como mafiosos e fichas sujas. Estes agrupamentos de bandidos do colarinho branco, são os calos nos pés de quem caminha com a esperança de um país mais digno, ordeiro, justo e progressista. As quadrilhas juninas são do bem e são conhecidas como a mais ingênua e agradável manifestação das tradições festivas do mês de junho. Já as quadrilhas dos políticos horríveis e conhecidas como Partidos, Sindicatos, Organizações Não Governamentais-ONGs, Igrejas, Prefeitura, Câmara Municipal, Clubes, Associações, Movimentos Sociais... Essas quadrilhas organizadas tocam e o povo dança. Tocam no erário e fazem os mais carentes dançarem na casca de banana. E dão uma banana para Ministros da Justiça, Desembargadores, Juízes, Promotores e Delegados – os que não as integram.