17 de fevereiro de 2017

NÃO HÁ QUE PERDER A TERNURA DIANTE DA DUREZA DO CÁRCERE

Como ressocializar gente, que é tratada como rato de esgoto?
Algo que esteve em pauta na mídia este ano foi a difícil situação carcerária em nosso País. O assunto veio à tona com mais força pelos fatos tristes de chacinas, decapitações e rebeliões que chocaram nosso povo. A discussão é ampla e, com o advento das mídias sociais, a opinião das pessoas pode ser melhor percebida. Muitos afirmam: “bandido bom é bandido morto”, “olha o que eles fizeram, então, foi merecido” e o ódio se instaura em nossa cultura de morte. Analisando projetos modelos de algumas prisões e sabendo do que a Igreja já fez e continua fazendo através da Pastoral Carcerária e grrupos evangélicos e espíritas, acredito que o criminoso pode sim mudar a sua conduta, e tem o direito dessa possibilidade que não lhe poderíamos tolher. Acompanhei casos de criminosos que tiveram oportunidade de ajuda e mudaram completamente o seu caminho. Um deles vivia em uma região de alta periculosidade em Itabuna e era envolvido com o tráfico de drogas. Disse-me que não era usuário, mas a facilidade de ganhar dinheiro com esta prática fez com que ele se afundasse nessa realidade. Com o apoio de um grupo cristão, a experiência com Deus e o contato com pessoas que tinham uma vida diferente no mesmo lugar onde ele habitava, fez com que seus conceitos fossem pouco a pouco mudados. Deixou aquela prática, constituiu família, engajou-se na Igreja e tive a felicidade de acolhê-lo como afilhado quando recebeu seu sacramentos. Anos depois continua firme nessa nova vida. Também conheci ladrões e assassinos que tiveram suas histórias transformadas e dão testemunhos concretos. Como humanizar o sistema carcerário? Quais as alternativas possíveis para quem deseja sair do mundo do crime? Estas e tantas outras perguntas permearam a mente de muitos que precisam dar respostas à sociedade. O contexto é complexo, e os governos nas suas diversas instâncias estão claramente perdidos em quais decisões tomar. O que particularmente posso afirmar é o fato de termos encontrado soluções e as estatísticas provam a eficácia dos métodos utilizados. Acredito que as Igrejas que atuam na busca de facilitar a ressocialização de egressos do sistema carcerário, poderiam ser mais ouvidas nessa circunstância. Digo que com mais apoio poderão fazer melhor, e isso resultaria em benefício a todos.

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